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Crônica sobre o Dr. Félix Batista
Na manhã de hoje(04) foi publicado no Jornal Diário do Povo uma crônica escrita pelo Deputado Lucino Nunes sobre o Dr Félix Francisco Pereira Batista, marido da Auditora Fiscal Odete Ferreira Martins Nunes.
Ele chegou devagarzinho, silenciosamente, manso e humilde de coração, com toda cautela do mundo. Dava a impressão que andava na ponta dos pés, sem fazer barulho para não espantar a caça ou incomodar a harmonia do ambiente, pois tinha o espírito aventureiro do caçador e do pescador, onde o caminho do sucesso passa obrigatoriamente pela paciência, pela calma e pela prudência. Usando o termo sertanejo, há quase dois anos ele se arranchou na casa vizinha, pois se casou com a minha cunhada Odete, que já morava lá. O silêncio daquela casa era completo, quebrado de vez enquanto pelo murmúrio das orações que lá acontecia ou pelo canto do sabiá que en-chia o ambiente como se a prestar homenagem à floresta tão amada por ele. O tempo foi passando e o ninho sendo construído, a grama vicejando, as flores da espirradeira desabrochando, o pé de ipê por ele plantado crescendo, o pé de sapoti rebrotando, os pássaros cantando e a paz reinando. O casal era harmonioso, amoroso, religioso, cada um respeitando o espaço do outro. A casa voltou a ser ponto de reencontro da família, pois o clima reinante era inteiramente democrático, desarmado e acolhedor. Era de todos, pois lá o respeito era um culto sagrado. Tudo era organizado, desde o quarto de dormir, o cantinho da rede, o local que colocava os óculos e as moedinhas de troco. Os bichinhos de madeira ou argila espalhados por todos os ambientes internos e externos. A estante com as fotos da família e dos muitos amigos. A pequena oficina decorada com retratos, que recordavam uma ou outra aventura. O quartinho abarrotado de ferramentas e apetrechos de caça e pesca, assim como as novidades que ele garimpava e se deliciava compartilhando os amigos. Enfim, era impossível se dar um passo naquela casa sem se deparar com um toque da sua presença. Era um verdadeiro plano de Deus, pois lá simbolizava amor, reencontro, paz e harmonia familiar. Ele adorava viajar, curtir a natureza, se deslumbrar com a paisagem, fotografar, conversar com o sertanejo, observar as plantas, os pássaros e os animais silvestres. Era um servidor nato, e, se detectava uma necessidade ou aspiração de alguém próximo a ele, de repente aparecia com um gesto ou uma solução inesperada e que fatalmente comovia. No dia 17 de janeiro último, fomos juntos passar o fim de semana em uma chácara às margens da barragem Mesa de Pedra, no Município de Valença. Ele ficou deslumbrado com o lago onde andamos de barco, e com a paisagem de onde não cansava de tirar fotografias, observar tudo em volta e dizer que estava num verdadeiro paraíso. Revelou, então, que tinha um sonho de quando se aposentar ir de malas e bagagens morar num lugar daqueles. Ele era auditor médico do Ministério da Saúde, tendo no dia 1º deste mês viajado a serviço para a Cidade de Campo Maior, e no pleno exercício de profissão, já na manhã do dia 2, o Dr. Félix Francisco Pereira Batista, o FELÃO, para os íntimos, foi chamado a fazer uma outra viagem, desta vez rumo ao Criador, e sem a ninguém avisar deixou-nos tomados de imensa saudade, e o recado de que a cronologia do plano de Deus não nos pertence. Que Deus o acolha na sua misericórdia, que nos dê resignação para suportarmos a sua saudade, e que o seu exemplo permaneça vivo nos nossos corações. (*) Luciano Nunes é bacharel em Direito. 04/02/2010 |
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